Este poema é dedicado á todas as cobras venenosas:
COBRAS
Hilton Junior

Em meio a tantas cobras
sobrevivi
De sensível o pranto secou
No covil se perpetuaram

A guerra que não provoquei
Em meus sonhos, ganhei
Desisti
Mas as marcas não apagaram

Dor solta em espaço vão
Dor revolta do meu coração
Chorei
Mas as lágrimas não brotaram

Sobrevivi,
Desisti e
Chorei
Mas esta guerra,
Ganhei
Este poema dedico à Michele Sanches, minha grande amiga:

GUERRA
Hilton Junior

Não achei que rezar
Traria a paz
Se eu fosse a paz
ela seria a guerra
a paz

Se a paz vencer a
guerra
Guerra não mais
serei

O que ser
se não a paz?
Guerra

Este texto dedico ao meu Grande amigo Alexandre Larangeira:
 

ESQUECER

             Se por um dia a epidemia do esquecimento chegasse aos tempos modernos, o homem não choraria mais. Não haveria motivos para as dores do passado nem lágrimas para os amores não realizados. Não haveria motivos para tristeza pois o futuro não nasce da dor mas, sim da esperança que mora em cada um dos nossos sonhos.

            O mundo poderia sonhar, seria a era da utopia. Tudo seria perfeito, mesmo porque o futuro não pode ser imperfeito pois ainda não faz parte das nossas vidas.

            Se o homem não tivesse lembranças, suas mágoas não existiriam, os amigos nunca partiriam e os amores nunca abandonariam.

            Se a epidemia chegasse a todas as tribos não haveria riqueza, não teríamos história para contar, não teríamos a nostalgia para acalentar, lembranças para crescer.

            Se esquecesse de tudo o que amei, seria um homem novo, seria alguém sem rancor, seria um homem sem amor e um homem recheado de esperanças e sonhos.

Se a epidemia me pegasse, só a mim, nunca teria derramado todas as lágrimas de desilusão, não lembraria de nenhum poema, poeta ou razão. Não sentiria a paz que um dia o amor colocou em meu coração.

            Se este “mal” lhe atingisse você não teria que brigar por um lugar em nenhum coração, pois todos os corações estariam abertos para você. Poderia chegar e ficar em qualquer lugar, não haveria guerras, não haveria tristeza, estas acontecem com as más lembranças que temos.

            Se não houvesse lembranças não haveria justiça, nem julgamentos, não haveria hipocrisia, não haveria Machado de Assis, Sócrates, Aristóteles e Platão.

            As lembranças são um combustível ao progresso, ao crescimento de cada um. Sem elas não seriamos nós, seriamos sempre alguém e alguém novo a cada dia. Ou não seriamos ninguém pois, não há vida sem lembranças.

 


Fonte de idéia: Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Márquez

           

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